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Almeirim - 1ª metade do séc XX     

Curiosidades

 

Genealogia de famílias «Almeirinenses» 

Uma homenagem aos nossos antepassados

Por: Maria da Conceição Pacheco Frazão Ferreira

Manuel Luís Rodrigues Catrola André

A árvore genealógica de descendentes encontra-se ordenada por apelidos, para mais fácil consulta.

Leonor -  Frazão

Ferreira

Pacheco

da Cruz  Serambeque

Rodrigues

da Conceição

Rodrigues Catrola

Russo (Ruço)

Alfaiate

Correia

Vaz Borrego

André

Sempre que são referidas datas completas, casamento, nascimento ou óbitos, quer dizer que possuo documentos comprovativos. Sempre que a data tem apenas três números quer dizer que existem dúvidas quanto ao 4º dígito.

Se quiser contribuir para este trabalho envie os seus dados ou as correcções que considere pertinentes

Ao tentar explicar aos meus filhos alguns dos seus antepassados, iniciei uma pesquisa que me levou até ao séc XIX.

Foi para os meus filhos que iniciei este trabalho, que resolvi agora partilhar com todos os almeirinenses que se interessam por conhecer as suas origens...

Tantos nomes comuns a tantos almeirinenses, tantos primos, tantos parentes, como se interligavam? Foi, por vezes, um puzzle difícil de resolver.

As  fotografias antigas, existentes no sótão, que sempre me fascinaram, continham dedicatórias com nomes e datas que foram importantes referências. Alguns documentos antigos, escrituras, registos de óbitos,  revelavam inúmeros elos familiares que resolvi investigar. De onde eram originários os meus antepassados e como teriam chegado a Almeirim?

Muitas horas no arquivo distrital de Santarém, algumas na Torre do Tombo, algumas visitas ao cemitério e agradáveis conversas com os familiares e amigos,  foram desenrolando muitos nomes que se encontram, agora, organizados.

Os Leonores, dos quais José Leonor (1863-1940), meu bisavô, resolveu adoptar como nome a alcunha de Frazão. De acordo com os registos encontrados devem o seu apelido a uma Maria Leonor que parece ser natural de Almeirim e que terá vivido entre 178…..

Os Pachecos que vieram de Freguesia de São Pedro da Raymonda; Concelho de Paços de Ferreira; Distrito do Porto; Diocese de Braga.

 Os da Cruz, mais tarde conhecidos também por  Serambeque, que penso tratar-se de alcunha, vieram de Freguesia de Requeixo; Bispado de  Aveiro, tal como os  da Conceição, os Alfaiates e os Russos, ruço de loiro. Os André vieram de Igreja Nova do Sobral; Ferreira do Zêzere, tal como os  Rodrigues Catrolas. Catrola parece tratar-se de uma alcunha. Os Rodrigues, filho de Rodrigo, encontrei 4 origens diferentes na população Almeirinense que estudei  . Os Rodrigues Vitorino  vieram da  São Silvestre, Freguesia da Beselga, Concelho de Tomar. O Vitorino perdeu-se e apenas continuou a ser usado o Rodrigues (meu bisavô do lado materno).

Também, vem de Freguesia de Vermoil; Concelho de Pombal; Leiria, José Gonçalves que casa com Maria José Benta, natural de Almeirim, e talvez, por isso, os seus filhos ficaram com o apelido de Bento ou de Benta, pois no séc. XIX fazia-se o feminino dos apelidos. Apelidos esses que iam variando conforme o gosto e a memória das famílias. As pessoas eram registadas apenas com um nome, «Maria filha de... e de…». Nunca sabemos muito bem que nome usaram, o que parece não ter grande importância, principalmente para as mulheres, que passavam apenas a usar o apelido do marido.

Chegam na altura em que foi extinta a coutada real, época em que se fez o aforamento de muitas terras, em que se fez a drenagem do paúl …. Penso que os homens terão vindo à procura de Terras, de trabalho, por cá terão casado por cá ficaram, uns fizeram fortuna, outros foram sobrevivendo como fazendeiros, artesãos, comerciantes…. Alguns estudaram, outros  distinguiram-se pelo seu trabalho.

A consulta dos registos é extremamente interessante, neles pude constatar que a mortalidade infantil era muito elevada, verificando-se, por vezes, "o registo dos filhos como o primeiro deste nome", "o segundo deste nome", "o terceiro deste nome". O número de  expostos registados (crianças abandonadas) é impressionante, facto que conhecia historicamente mas que não imaginei serem em tão grande número. O analfabetismo está bem evidente nos registos, não assinados por não saber ler. Estes revelam-nos aspectos muito interessantes, quando estão completos, o que variava de acordo com os padres que os faziam, desde profissões, graus de parentesco, moradas…

Somos os descendentes de um conjunto de homens e mulheres simples, que  contribuíram com o seu trabalho para a construção desta cidade. Podemos, pelo estudo destas famílias, perceber como cresceu a população…. tal como dizia  o Abade de Jazente…

 

Qualquer homem como

 Eu tem quatro avós.

 

Esses quatro por força

Dezasseis,

 

Sessenta e quatro a

 esses contareis,

 

Em só três gerações que

Expomos nós.

 

Se um homem só dá

Tanto cabedal,

 

Dos ascendentes seus,

Que farão mil?

 

Uma província? Todo o

Portugal?

 

Por esta conta, amigo, ou

nobre vil,

 

Sempre és parente do

Marquês de Tal,

 

E também do porteiro

Afonso Gil.

 

     Abade de Jazente

 

 A Família

 

Da família são narradas as histórias

Com humor, saudade ou emoções…

São farrapos de vidas nas memórias

Dos que amamos e nos deixam ilusões,

 

De que vivemos tais feitos, tais glórias…

São momentos de várias gerações,

São risos e dores, derrotas e vitórias,

Batendo fundo em nossos corações.

 

A Família é como um ninho

Porto de Abrigo de amor e de carinho

Onde há sempre um sorriso acolhedor…

 

Uma mão que se estende em hora certa

Um abraço de perdão e a porta aberta

A recordar, que a Família, é sempre amor!!

 

Maria José Marçal Gabirra

 

 

 Receita para obter o Português

Adaptado do livro «O português que nos pariu - uma viagem ao mundo de Dumará, RJ, 2000, p. 13/16:

 Ingredientes:

Homens pré-históricos qb.:

Um punhado de povos indígenas, principalmente os lusitanos, se possível da tribo de Viriato;

Celtas apenas para polvilhar;

Romanos até obter a consistência adequada;

Bárbaros, Suevos e Visigodos, dissolvidos na civilização romana;

Uma pitada de árabes;

Cristãos a gosto.

 Coloque o «recipiente» em banho de água salgada.

Primeiro deite os pré-históricos ibéricos, tape e deixe fermentar. Espere até se transformarem em tribos pacíficas e receptivas a ondas migratórias oriundas  de vários pontos europeus. Polvilhe com um pouco de Celtas. Além do encanto, vai introduzir o domínio da metalurgia e o gosto pela magia. Afinal, quem não gosta de druidas? Além de estarem na moda, eles acrescentarão um toque exótico ao paladar do prato.

            Lentamente, despeje os romanos. Atenção: vai dar pancadaria.

            Cuidadosamente misture os revoltosos para não deixar escapar Viriato e os seus homens que não apreciarão o novo ingrediente, os romanos. No fim, vai dar certo, é uma questão de paciência.

            Bata levemente durante 500 anos. A massa crescerá e revelará um povo urbano, que falava latim e praticava o comércio e a agricultura.

            Introduza os bárbaros, primeiro os álamos, seguidos pelos vândalos e pelos suevos. Capriche nos suevos pois eles adoram trabalhar com enxadas e logo escolherão terras para cultivar.

            Deixe a natureza agir. Verá que, infiltrados na massa, estes bárbaros inaugurarão a era dos portugueses de olhos claros.

            Quando os vândalos se dissolverem, bata vigorosamente pois os visigodos e suevos tenderão a encaroçar por 150 anos. Espere três séculos, a massa ficará mais encorpada, adquirirá novas falas, novas técnicas, uma nova arquitectura.

            Adicione os árabes, amasse delicadamente, os islâmicos e os judeus, que a pouco e pouco introduziu entre os ingredientes. Nesta altura, o português estará quase pronto, basta levar ao forno.

            Faça uma calda em ponto de bala, adicione cristãos a gosto, de todos os matizes e origens. Está pronto o português, homem moreno, por vezes, de cabelos castanhos escuros, olhos mouros, com barba e bigode louro ou ruivos.

            Desenforme e sirva ao «Novo Mundo».

A todos aqueles que queiram contribuir para o enriquecimento deste trabalho deixo os meus contactos:

Quem sou:

Maria da Conceição Pacheco Frazão Ferreira André, casada com Manuel Luís Rodrigues Catrola André.

Licenciada em Farmácia

Correio electrónico

 conceicao_andre@hotmail.com