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Genealogia de famílias «Almeirinenses»
As fotografias antigas, existentes no sótão, que sempre me
fascinaram, continham dedicatórias com nomes e datas que foram importantes
referências. Alguns documentos antigos, escrituras, registos de óbitos,
revelavam inúmeros elos familiares que resolvi investigar. De onde eram
originários os meus antepassados e como teriam chegado a Almeirim?
Muitas horas no arquivo distrital de Santarém, algumas na Torre do Tombo,
algumas visitas ao cemitério e agradáveis conversas com os familiares e
amigos, foram desenrolando muitos nomes que se encontram, agora,
organizados.
Os Leonores, dos quais José Leonor (1863-1940), meu bisavô, resolveu
adoptar como nome a alcunha de Frazão. De acordo com os registos encontrados
devem o seu apelido a uma Maria Leonor que parece ser natural de Almeirim e
que terá vivido entre 178…..
Os Pachecos que vieram de Freguesia de São Pedro da Raymonda; Concelho de
Paços de Ferreira; Distrito do Porto; Diocese de Braga.
Os da Cruz, mais tarde conhecidos também por Serambeque, que penso
tratar-se de alcunha, vieram de Freguesia de Requeixo; Bispado de Aveiro,
tal como os da Conceição, os Alfaiates e os Russos, ruço de loiro. Os André
vieram de Igreja Nova do Sobral; Ferreira do Zêzere, tal como os Rodrigues
Catrolas. Catrola parece tratar-se de uma alcunha. Os Rodrigues, filho de
Rodrigo, encontrei 4 origens diferentes na população Almeirinense que
estudei . Os Rodrigues Vitorino vieram da São Silvestre, Freguesia
da Beselga, Concelho de Tomar. O Vitorino perdeu-se e apenas continuou a ser
usado o Rodrigues (meu bisavô do lado materno).
Também, vem de Freguesia de Vermoil; Concelho de Pombal; Leiria, José
Gonçalves que casa com Maria José Benta, natural de Almeirim, e talvez, por
isso, os seus filhos ficaram com o apelido de Bento ou de Benta, pois no
séc. XIX fazia-se o feminino dos apelidos. Apelidos esses que iam variando
conforme o gosto e a memória das famílias. As pessoas eram registadas apenas
com um nome, «Maria filha de... e de…». Nunca sabemos muito bem que nome
usaram, o que parece não ter grande importância, principalmente para as
mulheres, que passavam apenas a usar o apelido do marido.
Chegam na altura em que foi extinta a coutada real, época em que se fez o
aforamento de muitas terras, em que se fez a drenagem do paúl …. Penso que
os homens terão vindo à procura de Terras, de trabalho, por cá terão casado
por cá ficaram, uns fizeram fortuna, outros foram sobrevivendo como
fazendeiros, artesãos, comerciantes…. Alguns estudaram, outros
distinguiram-se pelo seu trabalho.
A consulta dos registos é extremamente interessante, neles pude constatar
que a mortalidade infantil era muito elevada, verificando-se, por vezes, "o
registo dos filhos como o primeiro deste nome", "o segundo deste nome", "o
terceiro deste nome". O número de expostos registados (crianças
abandonadas) é impressionante, facto que conhecia historicamente mas que não
imaginei serem em tão grande número. O analfabetismo está bem evidente nos
registos, não assinados por não saber ler. Estes revelam-nos aspectos muito
interessantes, quando estão completos, o que variava de acordo com os padres
que os faziam, desde profissões, graus de parentesco, moradas…
Somos os descendentes de um conjunto de homens e mulheres simples, que
contribuíram com o seu trabalho para a construção desta cidade. Podemos,
pelo estudo destas famílias, perceber como cresceu a população…. tal como
dizia o Abade de Jazente…

Qualquer homem como
Eu tem quatro avós.
Esses quatro por força
Dezasseis,
Sessenta e quatro a
esses contareis,
Em só três gerações que
Expomos nós.
Se um homem só dá
Tanto cabedal,
Dos ascendentes seus,
Que farão mil?
Uma província? Todo o
Portugal?
Por esta conta, amigo, ou
nobre vil,
Sempre és parente do
Marquês de Tal,
E também do porteiro
Afonso Gil.
Abade de Jazente

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A
Família
Da família são narradas as histórias
Com humor, saudade ou emoções…
São farrapos de vidas nas memórias
Dos que amamos e nos deixam ilusões,
De que vivemos tais feitos, tais glórias…
São momentos de várias gerações,
São risos e dores, derrotas e vitórias,
Batendo fundo em nossos corações.
A Família é como um ninho
Porto de Abrigo de amor e de carinho
Onde há sempre um sorriso acolhedor…
Uma mão que se estende em hora certa
Um abraço de perdão e a porta aberta
A recordar, que a Família, é sempre amor!!
Maria José Marçal Gabirra

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Receita
para obter o Português
Adaptado do livro «O português que
nos pariu - uma viagem ao mundo de Dumará, RJ, 2000, p. 13/16:
Ingredientes:
Homens pré-históricos qb.:
Um punhado de povos indígenas, principalmente os lusitanos, se possível da
tribo de Viriato;
Celtas apenas para polvilhar;
Romanos até obter a consistência adequada;
Bárbaros, Suevos e Visigodos, dissolvidos na civilização romana;
Uma pitada de árabes;
Cristãos a gosto.
Coloque o «recipiente» em banho de água salgada.
Primeiro deite os pré-históricos ibéricos, tape e deixe fermentar. Espere
até se transformarem em tribos pacíficas e receptivas a ondas migratórias
oriundas de vários pontos europeus. Polvilhe com um pouco de Celtas. Além
do encanto, vai introduzir o domínio da metalurgia e o gosto pela magia.
Afinal, quem não gosta de druidas? Além de estarem na moda, eles
acrescentarão um toque exótico ao paladar do prato.
Lentamente,
despeje os romanos. Atenção: vai dar pancadaria.
Cuidadosamente
misture os revoltosos para não deixar escapar Viriato e os seus homens que
não apreciarão o novo ingrediente, os romanos. No fim, vai dar certo, é uma
questão de paciência.
Bata levemente
durante 500 anos. A massa crescerá e revelará um povo urbano, que falava
latim e praticava o comércio e a agricultura.
Introduza os
bárbaros, primeiro os álamos, seguidos pelos vândalos e pelos suevos.
Capriche nos suevos pois eles adoram trabalhar com enxadas e logo escolherão
terras para cultivar.
Deixe a
natureza agir. Verá que, infiltrados na massa, estes bárbaros inaugurarão a
era dos portugueses de olhos claros.
Quando os
vândalos se dissolverem, bata vigorosamente pois os visigodos e suevos
tenderão a encaroçar por 150 anos. Espere três séculos, a massa ficará mais
encorpada, adquirirá novas falas, novas técnicas, uma nova arquitectura.
Adicione os
árabes, amasse delicadamente, os islâmicos e os judeus, que a pouco e pouco
introduziu entre os ingredientes. Nesta altura, o português estará quase
pronto, basta levar ao forno.
Faça uma calda
em ponto de bala, adicione cristãos a gosto, de todos os matizes e origens.
Está pronto o português, homem moreno, por vezes, de cabelos castanhos
escuros, olhos mouros, com barba e bigode louro ou ruivos.
Desenforme e
sirva ao «Novo Mundo».
A todos aqueles que queiram contribuir para o enriquecimento deste
trabalho deixo os meus contactos:
Quem sou:
Maria da Conceição Pacheco Frazão Ferreira André, casada com Manuel Luís
Rodrigues Catrola André.
Licenciada em Farmácia
Correio
electrónico
conceicao_andre@hotmail.com |
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